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quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Coerência Mediúnica

"Já é muito, sem dúvida, crer, mas a crença apenas não é suficiente, se ela não oferece resultados e isso, infelizmente, tem ocorrido em muitos casos. Faço referência àqueles para os quais o Espiritismo não passa de um fato, de uma bela teoria, uma letra morta que não produz, na estrutura íntima dessas pessoas, nenhuma transformação, nem em seu caráter, nem em seus hábitos." (A Viagem Espírita em 1862 - Allan Kardec).


Olhemos a quantidade de pessoas que tem somente os princípios de suas doutrinas, seus fundamentos e ritos, como meras poesias, ideais distantes, considerados bonitos e maravilhosos, mas que destoam completamente da sua maneira de ser e agir.

Existe um irmão da seara espírita que sempre repete a frase de um de seus mentores, dizendo que nós temos de ter coerência em nossas vidas, entre aquilo que acreditamos e abraçamos como ideal, com aquilo que fazemos realmente.

Quantos de nós, espíritas, umbandistas, condomblecistas, e diversos "istas", somente levamos os valores de nossos caminhos espirituais como ideais e realidades distantes do nosso alcance. Elegemos um dia na semana onde vamos pro terreiro, vestimos uma roupa branca e com ela uma máscara também, onde me porto como o "médium espiritualizado".

Fora do centro, as vezes minutos depois, já estou reclamando da vida, das pessoas. Já me encontro falando da manifestação do fulano do terreiro, reclamando do dirigente sem nem ao menos conversar francamente com o mesmo. Formo grupinhos dentro dos centros, ataco as pessoas, sei sobre a vida de todos, menos sobre a minha.

Aonde está a energia e os ensinamentos do nosso suposto "guia"? Cade o médium que aprendeu com o seu caboclo, com sua mãe velha, com o doutor, poeta ou a freira? Manifestou o que no seu Centro? Simples, manifestou sua vontade de ser parte de um fenômeno, que mais tem de animismo e encenação do que fundamento.

Nos terreiros giram-se descontroladamente, gritam, batem no peito. Ouvem-se gargalhadas estridentes e manifestações fantasiosas. Os ditos médiuns de Umbanda compram guias e mais guias, o pescoço nem tem mais espaço para tantos colares, e se não bastasse, confeccionam-se roupas, corpetes e saias vermelha/preta para as supostas "bombogiras", fazem-se capas com símbolos e cores diversas junto de cartolas e capuzes para os ditos "exus".

Num outro âmbito, dito mais ortodoxo, em outros movimentos espirituais, o importante é ter um mentor famoso, é falar de maneira pomposa, refinada, cheio de termos científicos e complexos durante as comunicações medianímicas. Ao se ouvir um espírito falando de maneira mais simples e se identificando como um ancião africano, um caboclo brasileiro, ou quem sabe um sentinela, guardião que lida com as nossas trevas, são essas manifestações taxadas de animismo puro, a comunicação é totalmente desconsiderada, e o fundamento de uma doutrina que une a razão com o sentimento de amor é totalmente desmoralizado.

E assim vamos indo, dentro dos nossos movimentos filosóficos e religiosos, levantando bandeiras e mais bandeiras, fazendo festivais e mais festivais, congressos, debates, e não paramos pra olhar pro nosso umbigo, para a nossa realidade emocional.

Somos incoerentes dentro de casa, no trabalho, na faculdade e principalmente, na frente dos nossos altares.

Sejamos mais coerentes. Que nos conheçamos melhor!


Como diz na entrada do Oráculo de Delfus: "Conhece-te a ti mesmo!"