
Olá pessoal! Viemos hoje, através desse post, compartilhar com vocês algumas reflexões e questionamentos que temos feito para nós mesmos.
O que nos vem a mente é a atual situação da Umbanda no quesito "comércio da fé". Vemos muitas coisas, algumas explícitas e revoltantes, enquanto outras muito sutis, que usando do bom senso, conseguimos notar algo de errado.
Tendo em vista essas questões, antes de falarmos a respeito, deixamos aqui um trecho de uma mensagem de autoria do Chefe da Umbanda, Sr. Caboclo das 7 Encruzilhadas, extraída do livro "Origem da Umbanda", do Padrinho Juruá:
"A Umbanda tem progredido e vai progredir. É preciso haver sinceridade, honestidade e eu previno sempre aos companheiros de muitos anos: a vil moeda vai prejudicar a Umbanda; médiuns que irão se vender e que serão, mais tarde, expulsos, como Jesus expulsou os vendilhões do templo.
O perigo do médium homem é a consulente mulher; do médium mulher é o consulente homem. É preciso estar sempre de prevenção, porque os próprios obsessores que procuram atacar nossas casas fazem com que toque alguma coisa no coração da mulher que fala ao pai de terreiro, como no coração homem que fala à mãe de Terreiro. É preciso haver muita moral para que a Umbanda progrida, seja forte e coesa.[...]"
O perigo do médium homem é a consulente mulher; do médium mulher é o consulente homem. É preciso estar sempre de prevenção, porque os próprios obsessores que procuram atacar nossas casas fazem com que toque alguma coisa no coração da mulher que fala ao pai de terreiro, como no coração homem que fala à mãe de Terreiro. É preciso haver muita moral para que a Umbanda progrida, seja forte e coesa.[...]"
Pois é. Basta parar e refletir, analisar bem a situação atual que a Umbanda e seus adeptos vivenciam. "Pais e mães de poste" para lá e para cá, anunciando seus supostos poderes, suas atuações alucinantes e milagrosas em arranjar empregos, carros, dinheiro, saúde e amores, para aqueles que se envenenaram no desamor, na preguiça, na fofoca, na reclamação, na ostentação, e assim se iludem procurando um mercado de barganhas espirituais milagrosas.
Vemos diversos grupos, correntes de médiuns, que sem nenhum estudo, preparo e bom senso, são iludidos(ou quem sabe se deixam iludir) por "Sacerdotes e Sacerdotisas" tão ou mais despreparados que os mesmos.
Médiuns buscam apenas o fenômeno, o trabalho fantástico rápido com o super mentor de Umbanda. Querem curar sem estarem sadios, querem doutrinar sem o mínimo de consciência de si próprios, querem títulos, iniciações, cursos e ritos fantásticos, mas não querem "perder" seu tempo em estudos, dedicação, disciplina e preparo de casas realmente sérias.
Vemos cada vez mais cursos e mais cursos, disso e daquilo outro, de um lado são os diversos magos e iniciados nos poderes divinos; de outro lado são os sacerdotes anuais, que após ganharem um pedaço de papel e alguns apetrechos, terem aprendido a riscar alguns pontos e fazerem firmezas e assentamentos, acreditam ter capacidade e tenacidade para aguentar os entrechoques de dirigir grupos de médiuns que irão atuar nas vidas de centenas e centenas de consulentes.
Assim abrem-se portas e mais portas de centros, colocam-se dezenas e mais dezenas de "médiuns" para desenvolver e logo já estarem aplicando "curas" e "aconselhamentos" nos que procuram os mesmos.
E perguntamos: Onde está o tempo de maturação desses indivíduos? Onde está o autoconhecimento e o tempo de treinamento?
Afobados pelas novidades, os médiuns querem cada vez mais títulos, certificados e cursos.
Então, as informações que deveriam e poderiam ser transmitidas nos Centros e Terreiros, com cunho elucidativo e libertador, de forma aberta, tornam-se lucro e renda para os terreiros.
Palestras que poderiam ser feitas em 1, 2 ou 3 horas, tornam-se cursos, que juntos somam altas quantias de dinheiro. Limita-se assim o acesso para aqueles que não apresentam uma ótima condição financeira, e se veem constrangidos a pedir participação gratuita, quando muitas vezes nem isso é possível.
Estudos que poderiam ser realizados de maneira gradativa, em módulos, com materiais de apoio online, aberto ao público da casa, são transformados em mais cursos, nesse caso mensais, onde novamente se limita a expansão do conhecimento para os que não apresentam boa estabilidade financeira.
Abrem-se os terreiros para "Cursos de Desenvolvimento Mediúnico: Teórico e Prático", onde cobram-se mensalidades não muito baratas, e não sabe-se quem está entrando no terreiro, não se conhece o mínimo do histórico religioso e pessoal dessas pessoas, nem tem-se ideia do tipo de intenção e pensamentos que levaram essa pessoa a querer "desenvolver" sua mediunidade no terreiro, se é que ela apresenta mediunidade incorporação.
Pois pasmem! Nem todos médiuns de Umbanda irão incorporar, nem por isso precisam limitar suas faculdades e tornarem-se cambonos pra sempre. Devido ao costume errôneo dos dirigentes e médiuns Umbandistas, os mesmos não exploram as capacidade medianímicas de seus trabalhadores, que vão muito além da "incorporação".
*Obs: Citamos sobre mediunidade pois, na maioria dos terreiros, acredita-se que a mediunidade dentro da Umbanda limita-se somente a incorporação, raramente adentrando na psicografia, vidência e audição. Como se essas fossem as únicas mediunidades!
Importante frisar que, nós não achamos que cursos ou workshops sejam coisas ruins ou que devam ser proibidos. Muito pelo contrário!
Acreditamos sim na eficácia dessas ferramentas, mas de maneira justa! Um curso deve ser feito com muito amor, preparo e conteúdo, de maneira a disponibilizar uma apostila de qualidade para aqueles que desejarem realizar o mesmo, mas acreditamos que o mesmo, em termos de preços, se limite a cobrar pelo preço de produção da apostila, e é só!
Que bacana fazer um dia de Workshop, onde disponibilizam-se tarefas práticas, intercaladas com estudos e palestras teóricas, juntando tudo isso a deliciosas refeições, coffe breaks e etc. Mas que seja cobrado então pelos alimentos e materiais disponibilizados para os inscritos, sem lucros, e disponibilizando oportunidade para casos especiais em que pessoas queiram estudar mas não dispõem de dinheiro!
Quer juntar dinheiro para auxiliar a manter uma estrutura bacana e agradável no terreiro? Cobre mensalidade moderada somente de quem já é trabalhador assíduo da casa, e que tenha condições para isso. Monte uma cozinha e venda deliciosos lanches para que os frequentadores, entre as palestras e estudos da casa, possam se hidratar e matar a fome. Planeje uma lojinha, onde venda-se alguns acessórios de fundamento energético, tal qual pedras, ervas secas para banhos e defumações, incensos, livros de conteúdo interessantes.
Adotemos o bom senso, e lembremos do exemplo que foi Zélio Fernandino do Moraes, onde seu mentor, Sr. Caboclo das 7 Encruzilhadas, entidade que fundou a Umbanda no Brasil, proibia o mesmo de receber qualquer tipo de beneficio, presente ou doações para o terreiro. O Caboclo deixava bem claro os métodos de manter a estrutura do terreiro, ou seja, mensalidade espontânea dos trabalhadores e contribuição pessoal do dirigente da tenda, onde, para isso, Zélio nunca deixou de trabalhar materialmente para viver da espiritualidade.
Simplicidade! Simplicidade foi o lema deixado pela entidade chefe da nossa religião, e infelizmente, é o que menos vemos nos dias atuais.